A virada épica de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) ficará na história como a grande marca da eleição de 2026.
A vitória ensina que ninguém nunca deve começar a discutir governo antes de uma eleição acabar, como a campanha de Flávio Bolsonaro fez após o segundo turno.
Além de dar azar, algo já constatado em 1988 por Fernando Henrique Cardoso, quando literalmente se sentou na cadeira de prefeito de São Paulo e perdeu depois para Jânio Quadros, essa atitude instiga o adversário a se reorganizar para o jogo.
Foi o que o PT fez na largada do segundo turno.
Enquanto Flávio e seu entorno discutiam ministérios, a esquerda se reuniu para discutir a virada.
Ela ocorreu basicamente com uma fórmula simples.
De um lado, ocupar “ruas e redes”.
Deu certo.
Lula termina a campanha com o Índice de Popularidade Digital da Quaest, medido pela Quaest, à frente de Flávio Bolsonaro, após anos de domínio do bolsonarismo nesse meio.
O canal de WhatsApp Exército de Lula, estruturado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), termina a eleição com mais de dez milhões de inscritos.
A juventude de esquerda, que havia se afastado das ruas, envolveu-se nas três semanas finais e ainda elegeu parlamentares à esquerda com ampla capacidade de mobilização tanto offline quanto online.
Junto com o sangue novo, a campanha trouxe gente experimentada para dentro, que funcionou como um elo entre a juventude e um octogenário Lula. É o caso de Rafael Fonteles, Camilo Santana, do próprio Janones e do marqueteiro Otavio Antunes. Eles passaram a dar o norte da campanha e a dividir espaço com a turma que liderou a derrota no primeiro turno, como Edinho Silva e os marqueteiros Sidonio Palmeira e Raul Rabello.
De outro lado, a “campanha do medo”, expondo o risco do que poderia vir a ser um governo Flávio Bolsonaro, apontou a possibilidade de perda de direitos sociais e as fragilidades de Flávio no campo da corrupção.
Também deu certo.
O medo do retorno da família Bolsonaro ao poder era, neste sábado, apontado pelos chamados “pesquiseiros”, os profissionais que destrincham o sentimento da população, como um possível fator para a virada de sábado, considerada improvável por todos os institutos de pesquisa.
É inegável que Lula explorou ao máximo o que tinha na mão para vencer, como a máquina administrativa, a aliança com a cúpula do Congresso, que aprovou uma agenda a seu favor entre os dois turnos, e o apoio de uma ala do Supremo Tribunal Federal que não mediu esforços para apoiá-lo.
Ainda assim, se formos falar em uma marca para a eleição deste ano, tal qual foram a estabilização da economia em 1994 ou a Lava Jato em 2018, a eleição de 2026 entrará nos anais da história como a de uma virada improvável que se tornou épica.
