Polícia prende jovem suspeito de planejar ataques neonazistas.

A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta quinta-feira (29/1), a Operação Enigma, contra um jovem investigado por difundir ideologia neonazista, incentivar ataques violentos contra escolas e planejar ações direcionadas a grupos vulneráveis, especialmente judeus e a população negra.

O alvo, de 20 anos, mora no município de Gaúcha do Norte e teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, além do cumprimento de mandado de busca e apreensão e da quebra de sigilo telemático.

As ordens judiciais foram expedidas com base em investigações conduzidas pela Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), com apoio da Delegacia de Polícia de Paranatinga.

As apurações começaram após um alerta internacional encaminhado pela Homeland Security Investigations (HSI), agência ligada à Embaixada dos Estados Unidos, que repassou informações sobre publicações de teor extremista feitas em redes sociais.

Segundo a Polícia Civil, o investigado utilizava plataformas digitais para propagar discurso de ódio, fazer apologia ao nazismo e manifestar interesse explícito em cometer atos de extrema violência em locais públicos.

As mensagens incluíam referências a ataques contra escolas, além de ameaças direcionadas a minorias étnicas e religiosas.

Durante a investigação, os policiais conseguiram romper camadas de anonimização usadas pelo suspeito no ambiente virtual, estabelecendo a ligação direta entre os perfis utilizados para disseminação das ameaças e sua real identidade.

Também foram reunidos indícios da prática de racismo e incitação à violência no meio digital.

De acordo com o delegado responsável pelo caso, Guilherme da Rocha, a atuação rápida das forças de segurança foi essencial para evitar que as ameaças se transformassem em ações concretas.

“O investigado apresentava um nível avançado de radicalização, com indícios claros de intenção de vandalizar locais religiosos e praticar violência contra a população negra”, afirmou.

Já o delegado titular da DRCI, Sued Dias da Silva Júnior, destacou que a operação reforça o papel da polícia no enfrentamento ao extremismo violento no ambiente virtual.

“A ação não apenas neutraliza um indivíduo de alta periculosidade social, como também protege a coletividade e reafirma o compromisso da Polícia Civil com a segurança e a dignidade da população”, disse.

Origem do nome

O nome Operação Enigma faz referência à máquina de criptografia utilizada pela Alemanha nazista durante a Segunda Guerra Mundial, cujo código foi decifrado pelas forças aliadas.

Segundo a polícia, a denominação simboliza o trabalho técnico de investigação que permitiu superar os mecanismos de ocultação usados pelo suspeito e identificar sua atuação no ambiente digital.

Mirelle Pinheiro/ www.metropoles.com

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