O senador Wellington Fagundes (PL) evitou comentar a crise envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que expôs divergências internas no partido às vésperas das eleições de 2026. Pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, Wellington afirmou que o episódio deve ser tratado pela própria família Bolsonaro e pela direção nacional da legenda.
Em entrevista à imprensa nesta sexta-feira (3), o senador atribuiu ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, a responsabilidade de conduzir a situação. “Isso é um processo familiar e que o Valdemar, como presidente do partido, está administrando”, afirmou.
Questionado sobre as declarações de Michelle, que afirmou sofrer violência de gênero dentro do próprio partido, Wellington defendeu o aumento da participação feminina na política, mas evitou entrar no mérito do conflito entre a ex-primeira-dama e o enteado.
O senador relembrou que, em eleições anteriores, defendeu a presença de mulheres em posições de destaque na chapa presidencial. Segundo ele, o PL chegou a defender que a senadora Tereza Cristina fosse candidata a vice-presidente de Jair Bolsonaro.
“Lá atrás, ela tinha a possibilidade de ser candidata. Assim como na eleição passada, nós defendemos que a Tereza Cristina fosse a vice do Bolsonaro. Foi um erro do Bolsonaro à época”, disse.
Wellington também citou um projeto de sua autoria que reserva 30% das vagas do Legislativo para mulheres e afirmou que a ampliação da participação feminina na política é necessária para reduzir desigualdades.
“Eu sempre entendo que a participação de todos é importante. Fiz um projeto de lei para que 30% das vagas do Legislativo sejam das mulheres. Elas representam cerca de 52% do eleitorado e precisam buscar espaço. É uma evolução que nós temos que fazer”, afirmou.
A crise entre Michelle e Flávio Bolsonaro teve origem nas articulações para as eleições de 2026 no Ceará. O impasse envolve a possibilidade de o PL apoiar uma candidatura do ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) ao governo estadual como estratégia para enfrentar o PT. Michelle se posicionou contra a aliança e criticou publicamente a articulação, enquanto Flávio defendeu que a estratégia conta com o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro. O embate levou a troca de críticas públicas entre integrantes da família e mobilizou a direção nacional do partido, que busca conter o desgaste interno.
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