Governos Mauro Mendes (União) e Otaviano Pivetta (Republicanos) priorizam, fortemente, a base aliada do Palácio Paiaguás quando o assunto é o pagamento de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa (ALMT). No topo da lista de repasses efetuados está o líder do governo no Legislativo, deputado Dilmar Dal Bosco (União). Que teve pago R$ 68.128 milhões de 2023 até maio deste ano.
Levantamento do jornal A Gazeta, dos últimos 4 anos, detalha os montantes destinados para cada parlamentar. Os dados se encontram no relatório técnico emitido pela Secretaria Adjunta do Orçamento Estadual (SAOR), vinculada à Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), do governo de Mato Grosso, encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), que julga nos próximos dias uma ação direta de inconstitucionalidade do Poder Executivo contra a lei estadual que aumentou o percentual de valores destinados às emendas impositivas.
Os dados oficiais do próprio Executivo estadual mostram que, no acumulado dos últimos quatro anos (2023-2026), Dal Bosco foi o parlamentar mais contemplado de toda a Casa, alcançando o montante expressivo de R$ 68.128.163,34 em emendas efetivamente pagas. O ápice do fluxo de caixa do líder governista ocorreu entre 2024 e 2025, anos em que recebeu, respectivamente, R$ 24,4 milhões e R$ 25,3 milhões.
A radiografia financeira do Palácio Paiaguás confirma que a proximidade política com a gestão Mendes-Pivetta dita o ritmo das liberações. Além de Dilmar Dal Bosco, outros importantes aliados da base governista aparecem logo em seguida com os cofres cheios. Deputado Elizeu Nascimento (Novo) figura na segunda posição do levantamento governamental, com um acumulado de R$ 67.515.754,49 pagos no período. Ele é seguido de perto por Dr. Eugênio (Republicanos), que garantiu R$ 66.815.534,07 para seus projetos ligados a bases regionais, principalmente na região do Araguaia. Parlamentares de forte trânsito com o Executivo, como Thiago Silva (MDB) recebeu R$ 64,9 milhões.
O presidente da Assembleia Max Russi (Pode) teve R$ 64,8 milhões pagos, seguido pelo ex-presidente do parlamento, Eduardo Botelho, com R$ 63,8 milhões. Eles integram o pelotão de elite dos mais agraciados pelo orçamento do Estado nos últimos quatro anos.
PELOTÃO DA ESCASSEZ
Já, na outra ponta do relatório técnico da Sefaz, o cenário para os parlamentares que adotam uma postura crítica ou de enfrentamento ao Palácio Paiaguás é de escassez. Os deputados de oposição e independentes aparecem como os que menos tiveram emendas pagas ao longo dos últimos quatro anos. A disparidade política fica ainda mais evidente no recorte do orçamento de 2026 consolidados até o mês de junho. Enquanto aliados recentes ou deputados de perfil governista conseguem liberar volumes expressivos, a exemplo de Fábio Tardin (Pode), que lidera o ano provisoriamente com R$ 9,058 milhões pagos, Parlamentares de oposição, como os deputados Valdir Barranco (PT) e Wilson Santos (PSD), além da deputada Janaina Riva (MDB), que acumula embates pontuais com o núcleo duro do governo, chegaram a meados de junho com ‘zero emendas’ pagas referentes ao orçamento deste ano. A divulgação do relatório do próprio governo do Estado promete acirrar os ânimos na ALMT em um momento em que os deputados correm contra o relógio para tentar forçar o cumprimento dos repasses antes das restrições impostas pela legislação eleitoral.
MUNICÍPIOS CONTEMPLADOS EM 2025
O documento encaminhado ao STF também lista os municípios que mais foram contemplados com envio de emendas parlamentares de execução obrigatória no ano de 2025. No topo da lista de transferências, os maiores volumes de recursos financeiros pagos por meio das indicações parlamentares foi Chapada dos Guimarães, que recebeu R$ 13,82 milhões. Na sequência está Poconé com R$ 9.335.885,10, Várzea Grande com R$ 8.717.426,06, Água Boa recebeu R$ 8.699.759,97, Santa Terezinha R$ 7.700.000,00, Alto Araguaia, R$ 7.487.592,95, Querência R$ 6.122.043,00, Nova Monte Verde R$ 5.615.568,30, São Félix do Araguaia R$ 5.500.000,00 e Nobres com R$ 5.450.000,00, fecha o ‘Top 10’ em contemplação.
O levantamento oficial também revela como o dinheiro público chegou até as localidades de criação mais recente. É o caso de Boa Esperança do Norte, considerada a cidade mais nova do país, que garantiu o recebimento de R$ 1.4 milhão em emendas pagas ao longo do último ano, o que representa uma participação de 0,5% do montante global distribuído aos municípios.
Por outro lado, o documento expõe uma realidade de repasse zero para uma parcela das administrações locais. Sete cidades do estado fecharam o ano passado sem receber nenhum centavo em emendas parlamentares pagas dos deputados estaduais. Entre os municípios que ficaram zerados na tabela de transferências daquele exercício estão Nova Santa Helena, Campos de Júlio, Alto Taquari, Itanhangá, Jangada, Marcelândia e Nova Maringá.
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