O pão francês é uma verdadeira iguaria da culinária brasileira, estando presente na casa de muitas famílias ao redor do país. Mas, muitas vezes, ele é visto como vilão, principalmente entre aqueles que desejam emagrecer.
No entanto, a verdade é que o pão francês, sozinho, não faz uma pessoa ganhar peso ou gordura corporal. “Dentro de uma estratégia alimentar com déficit calórico (ingerir menos calorias e gastar mais), ele pode ser inserido pontualmente e ainda assim gerar o emagrecimento desejado”, afirma Eleonora Galvão, nutricionista do Instituto Nutrindo Ideais, à CNN Brasil.
Por outro lado, o pão francês apresenta alguns pontos negativos, e o principal é a sua baixa densidade nutricional, de acordo com a especialista. Isso porque ele é feito de farinha refinada, possui pouco teor de fibra e alta concentração de carboidratos.
“Uma unidade tem cerca de 29 gramas de carboidrato, o equivalente a três bananas pequenas, o que pode reduzir a saciedade e dificultar o controle de apetite ao longo do dia, fatores de extrema relevância no emagrecimento”, afirma Galvão.
Pão francês pode fazer parte da dieta?
Para quem é fã de pão francês, a boa notícia é que ele pode ser inserido na dieta. Porém, isso deve ser feito de forma estratégica e a depender dos objetivos.
No caso do emagrecimento, em dietas com restrição de carboidrato, o pão tende a ser utilizado de forma pontual. “Já em estratégias que priorizam desempenho no treino, ele pode ser incluído em quantidade estratégica, suficiente para fornecer energia sem comprometer o déficit calórico”, explica Galvão.
Já em um plano focado no ganho de massa muscular, o pão francês pode entrar na alimentação como forma de melhorar o desempenho no treino e, quando associado a uma ingestão adequada de proteínas, auxiliar na recuperação muscular.
“Consumir carboidrato no pré-treino gerará maior rendimento e permitirá treinos mais intensos, criando um ambiente favorável à hipertrofia”, afirma a nutricionista.
Quando utilizado, o pão deve ser associado a fontes de proteína e fibras, como ovos, sementes de chia ou linhaça, o que melhora a saciedade, a resposta glicêmica e o controle do apetite.
Além disso, também é interessante optar por versões de pão francês integrais e com grãos, ao invés do tradicional.
“O pão francês tradicional é feito com farinha refinada, praticamente sem fibras. Já as versões integrais ou com grãos utilizam farinha integral e sementes, o que aumenta o conteúdo de fibras. Isso promove maior saciedade, melhor controle glicêmico ao longo do dia e ajuda no controle do apetite, fatores importantes para quem busca emagrecer”, explica Galvão.
Em quantidade de calorias, a diferença costuma ser pequena. “O benefício do pão integral está menos nas calorias e mais na qualidade nutricional e no efeito das fibras no organismo”, afirma.
É melhor trocar o pão francês pelo pão de forma?
Muitas pessoas trocam o pão francês pelo pão de forma, pensando ser uma alternativa mais saudável. Segundo Galvão, em termos calóricos, os dois itens são semelhantes. A diferença entre eles está, de fato, na qualidade e na quantidade de nutrientes.
“O pão de forma permite escolhas melhores, como versões de grãos integrais, centeio e fermentação natural, que oferecem mais fibras, melhor digestibilidade e menor impacto na saúde intestinal. Pães de fermentação natural tendem a ser mais bem tolerados pelo intestino, com menor impacto glicêmico e digestão mais eficiente”, explica.
Por outro lado, pães de forma industrializados, ricos em aditivos, açúcares e gorduras, podem afetar negativamente a saúde intestinal e o controle do apetite. Por isso, nem todas as escolhas são boas. É importante sempre consultar a tabela nutricional dos produtos antes da compra.
“Para o emagrecimento, devemos atentar mais para os ingredientes e quantidade deste alimento no dia a dia e inseri-lo num contexto saudável, que priorize a perda de gordura corporal”, orienta Galvão.
Gabriela Maraccini, da CNN Brasil
