Safra difícil retira R$ 839 milhões da economia de Querência e prefeitura perde 10% no índice de repasses no ICMS; veja como ficam as cidades do Araguaia

A divulgação dos índices definitivos do ICMS para 2026 pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz-MT) trouxe um balde de água fria para Querência, um dos maiores produtores de grãos do Brasil. A cidade, acostumada a liderar rankings de crescimento, registrou uma queda abrupta de 10,28% em seu Índice de Participação dos Municípios (IPM), recuando de 1,54 para 1,38 pontos.

O dado acende o sinal vermelho na prefeitura local. A queda é explicada pelo recuo expressivo no Valor Adicionado (riqueza gerada): a movimentação econômica registrada caiu de R$ 4,5 bilhões (base anterior de 2024) para R$ 3,6 bilhões em 2025 – uma retração de quase R$ 900 milhões em um único ano base, refletindo possivelmente quebras de safra ou oscilações de mercado que atingiram em cheio o “coração” do município.

A queda no índice de Querência é reflexo direto de uma retração econômica severa registrada nas contas do município. Segundo dados anexados no Diário Oficial do Estado de 18 de dezembro de 2025, o Valor Adicionado — indicador que mede a riqueza gerada pela produção local — despencou de R$ 4,5 bilhões para R$ 3,6 bilhões de um ano para o outro.

Essa perda de R$ 839 milhões na base de cálculo sugere que o ano base de 2024 foi financeiramente difícil para o setor produtivo da cidade. Como o cálculo do ICMS premia quem gera mais riqueza, a queda no faturamento das empresas e produtores rurais de Querência resultou automaticamente em uma fatia menor do repasse estadual para 2026.”

A crise em Querência não é isolada, ela contamina parte do eixo logístico da região.

Canarana, outro polo vital, perdeu 8,57% de seu índice. A cidade viu sua geração de riqueza cair de R$ 3,4 bilhões para R$ 2,2 bilhões, um dos maiores “sumiços” de valor adicionado da região.
Água Boa, sede regional, teve uma perda mais leve, de 1,91%, mas suficiente para estagnar o crescimento de receitas previsto para o próximo ano.
São Félix do Araguaia também entra na lista negativa, com queda de 4,39%.

Enquanto o Médio Araguaia sofre, o Norte Araguaia mostra vigor. Na contramão de Querência, Confresa conseguiu aumentar seu índice em 2,21%, consolidando-se como polo comercial em expansão.

Ainda mais ao norte, Vila Rica garantiu uma alta de 5,13%. O destaque positivo regional, no entanto, é Novo Santo Antônio, que viu seu índice disparar 16,80% , e Luciara, com alta de 13,52%, possivelmente impulsionadas por melhorias em gestão fiscal ou critérios ambientais (ICMS Ecológico), já que suas economias são menores.

A situação mais dramática é a de Alto Boa Vista. O município perdeu 15,49% de seu índice, figurando entre as maiores quedas de todo o Mato Grosso, ao lado de Serra Nova Dourada, que teve leve recuo de 2,76%.

Para Querência e Canarana, 2026 será um ano de “cinto apertado”. A queda no índice do ICMS impacta diretamente a capacidade de investimento em estradas vicinais e saúde. Já para Confresa e Vila Rica, o aumento na fatia do bolo tributário oferece fôlego extra para obras e custeio da máquina pública.

RAIO-X: QUERÊNCIA E ARREDORES (DADOS TÉCNICOS)

Querência: -10,28% (Perda de ~R$ 900 mi em Valor Adicionado)
Canarana: -8,57% (Perda de ~R$ 1,2 bi em Valor Adicionado)
Gaúcha do Norte: -6,22% (Vizinha no Xingu, também caiu)
São Félix do Araguaia: -4,39%
Ribeirão Cascalheira: -2,01%
Água Boa: -1,91%

O Eixo “Em Alta” (Norte Araguaia):

Novo Santo Antônio: +16,80% (Destaque percentual)
Luciara: +13,52%
Vila Rica: +5,13%
Porto Alegre do Norte: +0,22% (Estabilidade)
Confresa: +2,21%
Bom Jesus do Araguaia: +0,47% (Estabilidade)

O Eixo Crítico (Maiores perdas proporcionais):

Alto Boa Vista: -15,49%
Campinápolis: -15,18%
 

Dados extraídos da Portaria Nº 185/2025-SEFAZ, Anexos II e III, publicados no Diário Oficial de 18/12/2025.

www.noticiasinterativa.com.br

 

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