O Partido Liberal realiza nesta quarta-feira (22) a convenção que deve oficializar Wellington Fagundes como candidato ao Governo de Mato Grosso e José Medeiros ao Senado. Além de homologar as chapas proporcionais, o encontro será usado para tentar encerrar meses de divergências internas e enquadrar prefeitos da sigla que manifestaram preferência pela candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos).
A convenção será realizada das 9h às 12h e abre o calendário dos partidos com candidaturas aos principais cargos da disputa estadual. Segundo a direção partidária, será também a primeira convenção estadual do PL realizada no país nestas eleições, sinalizando a prioridade dada pela direção nacional ao palanque de Mato Grosso.
Wellington chega ao encontro sustentado pelo apoio do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e pela antecipação de uma pré-campanha iniciada após as eleições municipais de 2024. O senador também foi um dos primeiros nomes da legenda nos estados a aderir à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Valdemar apareceu publicamente ao lado de Wellington e Medeiros em junho para reafirmar o desenho da chapa: o senador na disputa pelo Palácio Paiaguás e o deputado federal como candidato ao Senado. A manifestação ocorreu após meses de rumores sobre um recuo de Wellington e uma composição do PL com Pivetta.
A convenção, porém, não apaga as divergências que marcaram a construção da chapa.
Atrito com Medeiros
José Medeiros chegou a questionar publicamente a necessidade de Wellington disputar o Governo. Em março, afirmou que a prioridade estabelecida pelo ex-presidente Jair Bolsonaro era eleger senadores e sugeriu que o correligionário poderia abrir mão da candidatura ao Executivo.
“ O senador Wellington Fagundes não precisa ser candidato ao governo. Se o Senado é prioridade, temos que dar prioridade ao Senado ”, declarou Medeiros na ocasião.
O deputado também passou parte da pré-campanha defendendo uma composição com Pivetta para o Governo e uma dobradinha com Mauro Mendes (União) ao Senado. Medeiros chegou a dizer que ele e Mauro eram os escolhidos de Bolsonaro para as duas vagas do Estado na Câmara Alta e percorreu municípios ao lado do então governador.
Nos bastidores partidários, a divisão foi traduzida pela separação das decisões nacionais: Valdemar comandaria a formação das candidaturas aos governos estaduais, enquanto Jair Bolsonaro teria influência sobre os nomes ao Senado. Nesse arranjo, Wellington manteve o apoio do presidente nacional do PL e Medeiros preservou o respaldo do ex-presidente.
A confirmação dos dois na mesma chapa representa uma tentativa de acomodar os grupos e apresentar unidade durante a campanha.
Janaina amplia tensão
A pré-candidatura de Janaina Riva (MDB) ao Senado também provocou resistência dentro do PL. A deputada é nora de Wellington e foi apontada nos bastidores como possível integrante de uma chapa encabeçada pelo senador.
A aproximação com o MDB incomodou Medeiros, que passou a enxergar a candidatura de Janaina como ameaça à sua vaga. Parlamentares do PL também reagiram. Faissal Calil, por exemplo, defendeu Medeiros e criticou o projeto da emedebista para o Senado.
Wellington evitou confirmar uma composição com a nora e afirmou que a prioridade do PL era Medeiros. A articulação, entretanto, encontrou oposição entre prefeitos e lideranças liberais que enfrentaram candidatos do MDB nas eleições municipais e rejeitam uma aliança estadual com a sigla.
A convenção deve homologar apenas Medeiros como candidato do PL ao Senado. A segunda vaga da chapa continua dependente das alianças que poderão ser fechadas após as convenções dos demais partidos.
Prefeitos sob cobrança
Outro movimento esperado no encontro é a cobrança de fidelidade aos prefeitos do PL que manifestaram preferência por Pivetta.
Cláudio Ferreira, prefeito de Rondonópolis, declarou apoio ao governador. Abilio Brunini, de Cuiabá, e Flávia Moretti, de Várzea Grande, também defenderam uma composição entre PL e Republicanos e já demonstraram preferência por Pivetta, embora tenham afirmado que seguirão a decisão partidária.
Abilio chegou a propor que Wellington desistisse da candidatura ao Governo em troca da indicação do candidato a vice na chapa de Pivetta. O prefeito afirmou que prefere um acordo, mas declarou que não participaria diretamente das articulações.
Os três administram os maiores colégios eleitorais comandados pelo PL em Mato Grosso. O apoio deles será necessário para que Wellington transforme a decisão formal da convenção em palanques municipais durante a campanha.
Ao antecipar o encontro, a direção do partido busca produzir uma demonstração de unidade antes das convenções do União Brasil, PP, Republicanos, MDB e Podemos. A homologação das candidaturas resolve a disputa formal dentro do PL, mas a adesão de prefeitos, a definição da segunda candidatura ao Senado e a composição para vice ainda dependerão dos movimentos das demais legendas.
