Mato Grosso é o terceiro estado que mais mata mulheres no Brasil, revela anuário; relembre casos emblemáticos

Mato Grosso ocupa terceiro lugar no ranking de estados que mais matam mulheres no Brasil. A trágica colocação foi revelada na edição 2026 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicado nesta quinta-feira (23). O estado fica atrás somente do Acre, líder nos números, e do segundo colocado, o estado de Rondônia. Os números apresentados no anuário compreendem os anos de 2024 e 2025.

Mato Grosso tem taxa de 2,7 feminicídios para cada 100 mil habitantes. A taxa do Acre é de 3,2 e a de Rondônia, 2,9. MT tem uma população muito maior que a do Acre e de Rondônia, com 3.893.659 habitantes. O Acre tem 884.372 habitantes e Rondônia conta com 1.751.950 habitantes.

Em 2024, Mato Grosso teve 47 feminicídios e em 2025 esse número saltou para 53, uma variação de 11%. Outro número demonstrado na tabela é a porcentagem de feminicídios em relação ao homicídios de mulheres, que em 2025 foi de 55,8%.

A diferença entre as duas classificações é que o feminicídio, um crime autônomo desde 2024, é o assassinato de uma mulher motivado por violência doméstica e familiar, ou por menosprezo e discriminação à condição de mulher.

Já o homicídio de mulheres ocorre em situações em que a morte da vítima é alheia ao fato de ela ser mulher, como em uma execução pelas mãos de facção criminosa, por exemplo.

Caso Emelly Azevedo

Talvez o caso mais chocante de feminicídio de 2025 tenha sido cometido em março daquele ano, vitimando a menor de idade Emelly Azevedo, de 16 anos. A jovem estava grávida e foi atraída de sua residência em Várzea Grande até uma casa no Jardim Florianópolis, em Cuiabá, onde foi cruelmente assassinada por Nataly Helen Martins Pereira, de 25 anos.

Conforme informações veiculadas à época do caso, Helen simulou uma gravidez por meses, atraiu a adolescente Emelly Azevedo Sena, de 16 anos, que estava grávida, para sua residência, estrangulou a vítima e realizou uma incisão abdominal para retirar o bebê, ocultando o corpo em seguida e apresentando a criança como se fosse sua filha.

A última movimentação do caso foi por parte do STJ, em junho deste ano, que determinou por unanimidade que Helen passe por um exame de avaliação mental. A feminicida permanece detida e ainda não foi determinada a data do exame.

Caso Gleici Keli

Outro caso chocante de feminicídio no estado de Mato Grosso, no ano de 2025, foi o da vítima Gleici Keli Geraldo de Souza Oliboni, morta com dezenas de facadas pelo marido, Daniel Bennemann Frasson, em Lucas do Rio Verde. O crime ocorreu em 24 de junho de 2025, quando o engenheiro agrônomo também atacou e feriu gravemente a filha do casal, de 7 anos.

A filha do casal chegou a ficar internada após quase morrer pelos golpes de faca desferidos pelo próprio pai, mas sobreviveu após vários dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Municipal de Cuiabá).

Caso Ana Paula

Outro dentre os vários casos de brutalidade cometida contra mulheres foi contra Ana Paula Abreu Carneiro, de 25 anos. A vítima foi morta com cerca de 20 facadas pelo corpo pelo companheiro, Lucas Franca Rodrigues, de 22 anos. Os golpes atingiram pescoço, tronco, abdômen, dorso e pernas. Lucas Franca foi preso em flagrante pelas autoridades, mas, antes de ser detido, ele chegou a enviar fotos da vítima morta à própria família da vítima.

Caso Fabiana Amorim

O último dos 53 feminicídios registrados em 2025 foi contra Fabiana Amorim, de 37 anos, morta com diversas facadas. O feminicida, Rodrigo Albring foi preso em flagrante e revelou que estava com a vítima há apenas dois meses. Rodrigo já tinha passagens de estupro de vulnerável cometido contra uma criança de apenas onze anos.

Segundo informações, vítima e suspeito estavam juntos há apenas dois meses e o relacionamento já era marcado por brigas. A vítima foi morta após, supostamente, ter dado dois tapas na cara de Rodrigo durante uma briga.

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