Convenção do União vai destravar alianças e redesenhar chapas em Mato Grosso

A convenção do União Brasil, marcada para quarta-feira (30), é o ato que grupos políticos de Mato Grosso aguardam para começar a fechar as alianças majoritárias de 2026. Enquanto o partido não decide se banca Jayme Campos ao Governo ou embarca no projeto de reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos), MDB, Podemos, PL e o próprio bloco governista seguram movimentos, calculam espaços e evitam fechar portas.

A votação interna coloca dois projetos em confronto. Jayme tenta garantir uma candidatura própria da Federação União Progressista ao Palácio Paiaguás. O grupo do ex-governador Mauro Mendes trabalha para derrotá-lo, levar o União ao palanque de Pivetta e participar diretamente da escolha do vice.

O resultado não ficará restrito ao União. Pode reorganizar a disputa pela vice, influenciar o destino de MDB e Podemos e mexer na composição das chapas ao Senado.

Janaina Riva e Max Russi observam a convenção para calibrar o movimento conjunto de MDB e Podemos. Wellington Fagundes (PL) também acompanha o desfecho, porque uma derrota de Jayme pode empurrar novas conversas para o campo governista ou abrir espaço para uma aproximação do Podemos com sua candidatura.

Se Jayme vencer

Caso Jayme prevaleça no voto secreto, deverá sair da convenção com força para buscar uma aliança com MDB e Podemos. A composição reuniria três estruturas partidárias com prefeitos, parlamentares e presença em diferentes regiões de Mato Grosso.

Jayme já sinalizou que a ex-prefeita de Sinop Rosana Martinelli (MDB) pode ocupar a vice. A escolha levaria uma representante do Nortão à chapa e manteria aberta a vaga para Janaina disputar o Senado. Ao Podemos já foi garantido espaço político.

Esse desenho preservaria o projeto da deputada, que pretende continuar candidata ao Senado, e o entendimento com Max para que MDB e Podemos caminhem juntos. Jayme, por sua vez, ganharia capilaridade fora de sua base histórica na Baixada Cuiabana.

A vitória interna, porém, não resolveria tudo. Seria apenas o ponto de largada. Jayme ainda teria de transformar o resultado em uma coligação, acomodar os aliados e demonstrar que a candidatura própria da Federação União Progressista possui estrutura suficiente para enfrentar Pivetta e Wellington.

Se Jayme perder

A derrota de Jayme levaria o União Brasil para a coligação de Pivetta e transformaria a vaga de vice no principal ativo da negociação governista. A União-Progressista é a maior máquina partidária de Mato Grosso atualmente, tanto em número de prefeitos, quanto de filiados.

O grupo de Mauro pretende indicar o companheiro de chapa. Um dos nomes mais citados é o do deputado federal Fábio Garcia, embora ele negue ter conversado pessoalmente com Pivetta sobre a possibilidade.

Aliados destacam que Fábio é de Cuiabá, integra o núcleo político de Mauro, tem trajetória na iniciativa privada e poderia representar renovação geracional. A escolha também manteria o União no centro da campanha, mesmo depois de abrir mão de uma candidatura própria.

O movimento, contudo, não é automático. Pivetta já afirmou ter preferência por uma vice mulher da Baixada Cuiabana. Nesse cenário, aparecem nomes como Gisela Simona (União) e Margareth Buzetti (PP), caso o governador decida entregar o espaço à Federação União Progressista.

Outros partidos, porém, também possuem opções para apresentar. A lógica é simples: se o União abrir mão da candidatura própria, cobrará a vice.

MDB e Janaina

O MDB também deve ser chamado para a mesa de negociação com Pivetta, mas Janaina trabalha para permanecer na disputa pelo Senado mesmo em uma eventual composição com o governador.

A possibilidade de ela ocupar a vice é defendida por um grupo liderado pelo empresário Eraí Maggi. A operação retiraria uma candidata competitiva da corrida senatorial e reduziria a concorrência enfrentada por Mauro Mendes e pelo senador Carlos Fávaro (PSD.

Na prática, colocar Janaina na vice seria uma maneira de retirá-la da disputa pelas duas vagas ao Senado. O movimento, porém, contraria o projeto declarado pela deputada.

Para atrair o MDB sem obrigá-la a recuar, a chapa de Pivetta teria de acomodar a candidatura de Janaina ao Senado ao lado de Mauro, aumentando a pressão na disputa da senatória.

Podemos tem três portas

A situação do Podemos é mais aberta. Max Russi não precisa correr. O partido pode acompanhar Jayme, negociar com Pivetta ou se aproximar da chapa de Wellington.

Com Jayme, o Podemos participaria da construção de uma nova coligação e teria maior poder para garantir espaço na chapa majoritária.

Com Pivetta, entraria no arco governista, mas enfrentaria uma disputa mais dura. O União reivindicaria a vice após abrir mão da candidatura própria, enquanto o MDB poderia apresentar nomes ou exigir espaço para manter Janaina na corrida ao Senado.

A terceira porta é Wellington. O Podemos mantém diálogo e espaço aberto junto ao PL, o que impede que uma eventual derrota de Jayme empurre automaticamente Max para o grupo de Pivetta.

O cenário pressiona o entendimento entre MDB e Podemos. Janaina pretende continuar candidata ao Senado e tem menos espaço no palanque do PL. Max, por outro lado, pode comparar três projetos e escolher aquele que oferecer maior participação ao partido.

Pesquisa entra na conta

A convenção ocorre após uma mudança no cenário eleitoral. Na pesquisa MT Dados divulgada nesta segunda-feira (27), Pivetta passou de 20% em maio para 26% em julho. Jayme também cresceu, de 14% para 15%, mas permaneceu atrás do governador.

O resultado reforça o discurso do grupo de Mauro de que o União deve apoiar Pivetta, hoje mais competitivo nas pesquisas. Jayme aposta em outro argumento: uma chapa sustentada por União Progressista, MDB e Podemos teria estrutura partidária e capilaridade suficientes para alterar o quadro durante a campanha.

Na quarta-feira, os convencionais decidirão se Jayme continua na disputa. O efeito da votação, porém, será maior do que a sobrevivência de uma candidatura.

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