O deputado federal Fábio Garcia (União), candidato a vice-governador de Mato Grosso, negou envolvimento nas suspeitas investigadas no acordo de R$ 308 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a empresa Oi, que resultou na Operação Heritage, da Polícia Federal.
Em manifestação publicada nas redes sociais, Garcia afirmou que não foi alvo de busca e apreensão e classificou como falsas as informações que, segundo ele, tentam vinculá-lo ao caso. A operação foi deflagrada na manhã de quinta-feira (6) e investiga suspeitas de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e outras irregularidades relacionadas ao acordo com a operadora de telefonia.
Conforme já divulgou o , Garcia é apontado na investigação como um dos alvos e aparece relacionado na lista de cautelares. A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal do deputado e determinou o bloqueio de bens de investigados, até o limite do suposto prejuízo de R$ 308,1 milhões. O próprio STF, contudo, ressalta que as medidas fazem parte da fase de apuração e não significam antecipação de culpa ou responsabilidade criminal.
Garcia contestou a relação atribuída a ele com os fundos citados na investigação e afirmou que a Casa Civil, pasta que comandou durante o governo Mauro Mendes, não participou do acordo. “Primeiro, quero deixar claro que é mentira que fui alvo de busca e apreensão, não fui. A Operação da Oi jamais passou pela Casa Civil. Não é atribuição dessa pasta”, afirmou.
O deputado também disse que não existe, segundo ele, qualquer ato de sua autoria relacionado ao processo. “Não há um ato sequer meu neste processo. A Casa Civil não teve conhecimento desta cooperação”, declarou. Garcia afirmou ainda que seu nome teria sido incluído de maneira indevida na investigação e citou diretamente a decisão de Flávio Dino como argumento para sua defesa.
“Forçaram a barra para me envolver, tanto é que a decisão do ministro Flávio Dino não apontou um único ato meu neste caso da Oi”, disse. O deputado também contestou a informação de que teria ligação societária com fundos mencionados na investigação. Segundo ele, documentos comprovariam que nunca foi acionista ou cotista dessas estruturas financeiras.
“E eu tenho provas. A decisão fala de fundos ligados à minha pessoa. Não é verdade. A comprovação dos fundos comprova que não sou e nunca fui acionista ou cotista de nenhum deles”, afirmou. Garcia também negou a relação atribuída a seu pai com um dos fundos investigados.“Aí, alegam que meu pai é sócio de um fundo que ele também não é”, declarou.
A investigação da PF aponta uma cadeia de fundos de investimento por onde teriam circulado recursos relacionados ao acordo com a Oi. Entre as estruturas citadas na decisão estão Lotte Word FIDC, Golden Bird FIDC, Silver Bird FIDC, Geonix 95 FIM e Venture Finance FIDC.
“Velha política” e eleição
No vídeo, Garcia também inseriu o episódio no contexto da disputa eleitoral de 2026. Logo no início, afirmou que a eleição está começando e acusou “velhos atores da política” de já estarem atuando. “Pessoal, a eleição está começando e os velhos atores da política já estão atuando. Infelizmente, a política é assim mesmo, há consequências em guerrilhar contra o mal”, afirmou.
A fala segue uma linha semelhante à adotada pelo ex-governador Mauro Mendes, que também reagiu à operação na quinta-feira. Em vídeo publicado nas redes sociais, Mendes negou qualquer irregularidade no acordo e afirmou que adversários políticos estariam utilizando a investigação como instrumento eleitoral. O ex-governador também classificou os ataques como parte da “velha política da sujeira, da mentira”.
Garcia encerrou a manifestação adotando um discurso de confronto entre “bem” e “mal” e prometendo apresentar novos elementos para contestar as suspeitas. “Pouco a pouco, nós vamos demonstrando cada mentira e mostrando a verdade. Não tenho dúvidas, o bem vai vencer o mal. A velha política não vai voltar para destruir Mato Grosso mais uma vez”, afirmou.
A Operação Heritage segue em investigação. As medidas autorizadas pelo STF incluem, além da quebra de sigilos, bloqueios patrimoniais e outras cautelares contra os investigados. A decisão de Flávio Dino destaca que a apuração busca confirmar ou descartar as hipóteses levantadas pela Polícia Federal. Entre os alvos das cautelares estão os pais e a irmã de Fábio, bem como a esposa e os filhos do governador Mauro Mendes e a família do atual secretário da Casa Civil, Mauro Carvalho.
