Mauro diz que acordo com Oi foi considerado legal por três órgãos de controle e reforça tese de “armação” e “golpe eleitoral”

Candidato ao Senado, o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) voltou a usar as redes sociais para se defender das acusações investigadas pela Polícia Federal na Operação Heritage e elevou o tom ao classificar o caso como uma suposta “armação eleitoral”. Em duas artes publicadas no Instagram, o candidato ao Senado relacionou a operação ao recente rearranjo político de Mato Grosso e afirmou que seus adversários tentam atingir seu grupo a cerca de 60 dias das eleições.

Nas publicações, Mauro questiona a proximidade entre a operação e decisões tomadas durante as convenções partidárias. Em uma das artes, ele destaca que a ação ocorreu “logo depois” de o senador Jayme Campos ser rejeitado como candidato pelo União Brasil, de Janaina Riva (MDB) ser afastada da composição como vice do grupo e de seu antigo grupo político decidir não se unir às chamadas “velhas raposas da política que sempre lesaram o Estado”.

Ao final da publicação, Mauro provoca: “Você acredita em tantas coincidências?”

A segunda postagem reforça a tese de que o ex-governador estaria sendo alvo de uma ação com motivação política. Mauro afirma que a Polícia Federal é uma instituição séria, mas ressalta que, segundo ele, “dentro dela existem pessoas que podem falhar ou serem induzidas a erro”.

Na mesma arte, o ex-governador relembra que foi alvo de uma operação da PF em 2014 e destaca que o caso acabou arquivado pela Justiça em 2017. A partir disso, afirma que acredita que o mesmo poderá ocorrer agora.

“Em 2014, Mauro foi alvo de operação da PF e tudo foi arquivado em 2017. Agora acontecerá o mesmo!”, diz o texto publicado em seu perfil.

Mauro também foi direto ao apontar o que considera ser o objetivo de seus adversários. Em uma das artes, afirma que “o único objetivo de toda essa armação dos adversários é aplicar um golpe eleitoral a 60 dias das eleições”.

As publicações ampliam a estratégia de defesa adotada pelo ex-governador desde a deflagração da Operação Heritage, que investiga supostas irregularidades relacionadas ao acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A.

Mauro sustenta que três órgãos de controle — Ministério Público de Contas (MPC), Ministério Público Estadual (MPE) e Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) — já analisaram o acordo de R$ 308,1 milhões firmado entre o Governo de Mato Grosso e a Oi S.A. e não encontraram irregularidades.

As manifestações dos órgãos de controle citadas pela defesa de Mauro ocorreram antes da operação. Em 27 de junho de 2025, o procurador-geral de Contas, Alisson Carvalho de Alencar, analisou representação apresentada por Janaina Riva e concluiu pela improcedência da denúncia, por não identificar indícios de irregularidades na condução do acordo.

O MPC também analisou a destinação dos recursos aos fundos Royal Capital e Lotte Word e afirmou não ter encontrado indícios de fraude, irregularidade ou beneficiamento pessoal. Segundo o documento, os pagamentos seguiram os trâmites legais de cessão de créditos, homologação judicial e execução do Termo de Autocomposição.

Em março deste ano, o TCE-MT também se manifestou sobre o caso. Em resposta a questionamentos do MPE, o conselheiro Guilherme Maluf destacou que o acordo havia passado pela Procuradoria-Geral do Estado e sido homologado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

O Tribunal também apontou vantagem econômica na negociação. Segundo a análise, a Oi e seus cessionários cobravam R$ 583,4 milhões, enquanto o Estado fechou o acordo por R$ 308,1 milhões, uma diferença superior a R$ 275 milhões.

Na conclusão, Maluf afirmou que os elementos disponíveis apontavam para a regularidade do termo de autocomposição e citou manifestações da equipe técnica do TCE e do MPC que não identificaram “indícios de irregularidades ou desvios de finalidade”.

Dias depois, em 21 de março, o MPE analisou ação apresentada por Pedro Taques. O subprocurador-geral de Justiça Marcelo Ferra de Carvalho considerou demonstradas a legalidade do acordo e a ausência de prejuízo ao patrimônio público. O órgão também defendeu a manutenção da negociação, mencionando análises técnicas que apontavam inexistência de dano ao erário.

Apesar das manifestações anteriores, a Polícia Federal passou a investigar a destinação dos recursos pagos pelo Estado. Segundo a PF, valores relacionados ao acordo com a Oi teriam passado por fundos de investimento administrados pelo Banco Master, em uma estrutura que poderia ter dificultado o rastreamento do dinheiro.

Investigação mira fundos

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a Operação Heritage, determinou que a Master S.A. Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários apresente documentos relacionados a cinco fundos de investimento investigados.

Entre eles estão Royal Capital Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, Zurich Fundo de Investimento Multimercado Crédito Privado, London Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, Lotte Word Fundo de Investimento em Direitos Creditórios e Coliseu Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.

A documentação requisitada inclui contratos, registros de carteira de investimentos, extratos bancários, documentos sobre o lastro dos direitos creditórios, relatórios de auditoria e compliance, além de informações sobre cotistas e beneficiários finais.

Segundo a decisão judicial, o material deverá subsidiar o avanço das investigações.

A Operação Heritage apura suspeitas de que o acordo entre Mato Grosso e a Oi tenha sido utilizado para viabilizar o desvio de mais de R$ 308 milhões por meio de uma estrutura envolvendo fundos de investimento e pessoas jurídicas. A PF investiga, em tese, crimes como organização criminosa, peculato, lavagem de dinheiro, crimes contra o Sistema Financeiro Nacional e uso indevido de informação privilegiada.

Mauro Mendes nega irregularidades e sustenta que o acordo foi submetido aos órgãos de controle e apresentou vantagem financeira para o Estado. A investigação da Polícia Federal, contudo, permanece em andamento e deverá esclarecer a origem, a movimentação e a destinação dos recursos.

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