Acusado de sacar R$ 15 milhões, Sérgio Ricardo ficará preso no Bope; demais alvos em VG

O presidente afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT) Sérgio Ricardo ficará preso preventivamente no Batalhão de Operações Especiais (Bope) em Cuiabá. Os demais alvos homens da Operação Tomada de Contas, que apura desvio milionário na Corte, ficarão detidos em presídio em Várzea Grande, enquanto a chefe do gabinete de Sérgio, Roseli Loss, ficará no presídio feminino Ana Maria do Couto May, na capital.

Os funcionários do alto escalão da Corte Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke, também alvos de mandado de prisão, devem ficar na Sala de Estado-Maior da Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em VG.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) detalhou a divisão de tarefas do núcleo operacional investigado no Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE), composto pelos 6 alvos que tiveram a prisão preventiva decretada nesta quinta-feira (29). A decisão é do ministro Og Fernandes, que atendeu a pedido da Polícia Federal na ofensiva e apontou que o grupo atuava de forma estruturada no comando, na articulação jurídica, na conversão e no transporte de recursos públicos em dinheiro vivo. Sérgio Ricardo exerceria o “comando”.

Sérgio Ricardo de Almeida (Presidente do TCE) é acusado de dirigir as ações e liderar a estrutura de operadores financeiros destinados a converter verbas públicas em dinheiro em espécie. Como ordenador de despesas, editou portarias para paralisar contratos com a alegada intenção de conter gastos, mantendo repasses apenas para fornecedores selecionados que aceitavam devolver parte das quantias.

Pela folha paralela, Sérgio teria recebido R$ 15 milhões em sua conta — contraste relevante perante os R$ 288.501,05 divulgados oficialmente no Portal da Transparência. Registrou 150 saques em dinheiro que somaram R$ 15.645.500,00.

Roseli Loss (Chefe de Gabinete da Presidência) é investigada pela PF como pessoa de extrema confiança de Sérgio Ricardo, atuando a seu lado desde a época em que ele era deputado estadual. Seria a principal operadora técnica encarregada das retiradas presenciais de numerário no posto bancário do TCE/MT, acumulando saques no montante de R$ 3.520.600,00. Chegou a operar contas bancárias usando a biometria facial do presidente do órgão pelo celular e assumiu procuração bancária oficial sobre as contas do conselheiro em outubro de 2025.

Grhegory Paiva Pires Moreira Maia (Consultor Jurídico-Geral) é acusado de ser o articulador jurídico e financeiro do grupo e o maior beneficiário individual das transferências ilícitas. Recebeu R$ 32,3 milhões, dos quais R$ 31.644.860,90 foram pulverizados em 179 ordens bancárias avulsas por 12 contas em 9 bancos, inclusive em empresas da família, sendo uma delas uma especializada na venda e criação de cavalos criada em julho de 2025, quando o suposto esquema já estaria em andamento.

Gustavo Fernandes da Silva (Assistente Jurídico) atuaria na execução financeira diretamente subordinado a Grhegory Paiva. Foi registrado por câmeras de segurança efetuando saques em dinheiro vivo na boca do caixa sem a necessidade de inserir cartão bancário e por meio de tecnologia QR Code. Ocupando cargo comissionado, recebeu R$ 15,8 milhões, sendo R$ 15,6 mi quitados via 144 ordens avulsas distribuídas em 8 contas de 7 instituições. Apesar do volume acumulado, possuía apenas dois veículos registrados em seu nome.

Felipe José Glinke (Assessor Jurídico da Presidência) desempenharia a função de sacar e manusear grandes somas de dinheiro nos guichês do banco Sicoob instalado no tribunal. Adotava medidas de dissimulação, como fazer sinais para adiar saques quando notava a presença de terceiros. Em um dos episódios gravados, assinou um documento em branco e devolveu parte do numerário para anotações em um caderno informal mantido na gaveta da atendente do caixa. Recebeu R$ 9,9 milhões, dos quais R$ 9,6 por 80 ordens avulsas em 8 contas de 6 bancos.

Adriangelo Barros Antunes (Secretário Executivo de comissão permanente) é jornalista e ex-cunhado do presidente do tribunal. Seria incumbido na logística e no transporte físico das cédulas retiradas no guichê bancário. Foi monitorado por agentes federais entrando no posto com uma mochila vazia e saindo com o compartimento volumoso em direção às dependências do TCE/MT. Recebeu R$ 2,2 milhões a partir de setembro de 2025 e repassou frações para familiares com o intuito de disfarçar o caminho do dinheiro.

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