Apesar de apelos de grupo de Jayme, Mauro marca convenção do União Brasil para limite do prazo eleitoral

O ex-governador Mauro Mendes (União) ignorou a pressão pública de Júlio Campos, Dilmar Dal Bosco e do próprio senador Jayme Campos e marcou a convenção estadual do União Brasil para 4 de agosto, penúltimo dia do prazo legal. A decisão empurra para quase o limite do calendário eleitoral a definição sobre o rumo do partido em Mato Grosso: lançar Jayme ao Governo ou permanecer no arco de apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Pelo calendário eleitoral, as convenções partidárias podem ser realizadas de 20 de julho a 5 de agosto. Mauro, que preside o União Brasil em Mato Grosso, assinou edital convocando a convenção para a sede estadual da legenda, em Cuiabá, das 17h às 18h. Com isso, caso Jayme vença a disputa dentro do União Brasil, terá só mais um dia para que ocorra a reunião da executiva estadual  da federação União Progressistas e possível intervenção da executiva nacional em caso de ele ter a vitória dentro do União, mas resistência na federação estadual.Além disso, com essa decisão, Mauro, que articula apoio do União a Otaviano Pivetta, dá um prazo de um dia para Jayme Campos consolidar alianças com outros partidos, organizar documentação,  ajustar chapas e colocar uma eventual candidatura própria na rua.

Na pauta listada, o partido vai deliberar sobre participação nas eleições gerais de 2026, formação de coligações majoritárias, escolha de candidatos a governador e vice-governador, definição das chapas para deputado estadual e federal e sorteio dos números dos candidatos.

Nos últimos dias, Júlio Campos chegou a dizer que conversaria com Mauro para evitar que a decisão ficasse para o fim do calendário.

“Nós vamos conversar essa semana que entra com o Mauro Mendes, como presidente do partido, politicamente, para ver a data da convenção. Nós esperamos que não seja no último dia”, afirmou Júlio. O deputado também defendeu uma saída negociada. “Vamos chegar a um consenso: nem no último dia, nem no primeiro dia”, disse.

O consenso não veio. Ao marcar a convenção para 4 de agosto, Mauro manteve a decisão sob controle até a véspera do prazo final e reduziu a margem de manobra de Jayme caso o senador seja derrotado internamente.

Vale lembrar que o PP já antecipou apoio à reeleição de Pivetta, enquanto Jayme insiste que sua briga é dentro do União Brasil e que o partido não pode ser levado a acordos que inviabilizem uma candidatura própria ao Palácio Paiaguás.

A data também afeta deputados estaduais, federais e suplentes, já que a mesma convenção vai deliberar sobre coligações e chapas proporcionais.

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