O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estarão em Mato Grosso no mesmo dia, no próximo sábado (20), em eventos que expõem a disputa pré-eleitoral entre a atual gestão do governo federal e o bolsonarismo antes da eleição de 2026. Enquanto Flávio participará da Marcha para Jesus, em Cuiabá, em aceno direto ao eleitorado evangélico, Lula estará na entrega da primeira fase da ferrovia estadual e do terminal da BR-070, uma obra estruturante para a logística do agronegócio.
De um lado, Flávio tenta reforçar a ligação do sobrenome Bolsonaro com o público evangélico, uma das bases mais fiéis da direita. De outro, Lula desembarca para associar o governo federal a uma entrega de infraestrutura em Mato Grosso, Estado comandado economicamente pelo agronegócio, setor em que o PT enfrenta resistência eleitoral histórica.
A agenda de Lula será na região entre Dom Aquino, Campo Verde e Primavera do Leste, no entorno do terminal da BR-070. A estrutura faz parte da ferrovia estadual, projeto conduzido em Mato Grosso com operação da iniciativa privada e impacto direto no escoamento da produção agrícola. A entrega também deve ser usada pelo governo federal para anunciar novas ações e investimentos no Estado.
O setor do agronegócio é uma das principais forças econômicas de Mato Grosso e, ao mesmo tempo, um dos ambientes mais resistentes ao petismo, porém que recebeu pouca atenção da gestão de Jair Bolsonaro, pai de Flavio, visto que não aconteceram obras estruturantes do governo Federal no estado entre 2019 e 2022. A agenda permite a Lula tentar disputar espaço em um terreno onde a direita construiu hegemonia eleitoral nos últimos anos.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, chega ao Estado em clima de pré-campanha presidencial e em um momento de desgaste nacional. A divulgação de áudios em que ele pede recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro abriu crise no campo da direita e colocou o senador sob pressão justamente quando tenta se firmar como herdeiro eleitoral do bolsonarismo.
Além disso, o entorno bolsonarista tenta administrar o impacto político da nova frente de tensão entre Brasil e Estados Unidos. O governo americano propôs tarifas contra produtos brasileiros no âmbito de uma investigação comercial que inclui, entre outros pontos, serviços de pagamento eletrônico, área em que o Pix virou símbolo de soberania tecnológica e disputa econômica.
A participação de Flávio na Marcha para Jesus mira um público consolidado junto ao bolsonarismo. O eleitorado evangélico foi central nas campanhas de Jair Bolsonaro e segue como um dos principais campos de disputa para 2026.
