
O PL entra na disputa pelas oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara dos Deputados com projeção central de 265 mil votos nominais, acima do quociente eleitoral de 235 mil adotado como referência pela análise do Olhar Direto. A conta coloca uma cadeira como piso e deixa a segunda em posição forte, enquanto uma terceira, aventada internamente, exigiria um desempenho fora da curva.
A faixa considerada plausível vai de 230 mil a 295 mil votos. A projeção não é pesquisa nem previsão fechada e considera votação anterior, mandatos, estrutura territorial, espaço político e concorrência enfrentada pelos candidatos.
A nominata reúne Coronel Fernanda, Coronel Assis, Rodrigo da Zaeli, Dr. Giovani Mendes, Gilberto Mello, Gislaine Yamashita, Luiza Böer, Ranalli e Thiago Boava.
Fernanda e Assis
Coronel Fernanda e Coronel Assis formam o núcleo mais consolidado da chapa. Fernanda recebeu 60.304 votos em 2022 e Assis, então no União Brasil, 47.479. Os dois chegam agora com mandato federal e, juntos, concentram a maior parte da votação já testada da nominata.
Fernanda parte de uma base mais pulverizada pelo Estado e é a principal remanescente da chapa que o PL montou em 2022. Naquele ano, o partido ainda tinha Abílio Brunini, José Medeiros, Amália Barros e Nelson Barbudo entre seus puxadores. Abílio virou prefeito de Cuiabá, Medeiros disputa o Senado, Amália morreu em 2024 e Barbudo migrou para o Podemos.
Assis enfrenta terreno mais congestionado. Além da concorrência interna com Fernanda e Ranalli, divide o eleitor ligado à segurança pública com nomes de outras legendas, como Coronel Roveri e Delegado Fred Murta.
Os dois, porém, partem acima dos 47 mil votos que servem como referência individual para a primeira etapa das sobras caso o PL já tenha conquistado uma cadeira pelo quociente.
Corpo da chapa
Thiago Boava, Rodrigo da Zaeli e Ranalli formam o bloco que pode consolidar a segunda cadeira.
Thiago estreia numa disputa pela Câmara carregando o recall político da esposa, Amália Barros, que recebeu 70.294 votos em 2022. A análise, porém, não considera transferência automática desse eleitorado. Sua candidatura busca perfil mais masculino, ligado ao agro e ao bolsonarismo.
Rodrigo chega em condição diferente de 2022, quando recebeu 6.965 votos. Agora deputado federal em exercício, tende a concentrar sua campanha em Rondonópolis e região.
Ranalli parte de Cuiabá, com mandato de vereador, carreira na Polícia Federal e discurso diretamente ligado ao bolsonarismo e à segurança.
Votos complementares
Dr. Giovani Mendes, Gilberto Mello, Gislaine Yamashita e Luiza Böer completam a nominata e precisam acrescentar volume suficiente para manter o PL acima do quociente e próximo do centro projetado.
Gilberto entrou na chapa após a desistência de AgroTaigo, que era uma das apostas para produzir votos em Sinop e no Nortão. Gislaine parte de Primavera do Leste, Luiza de Juína e Giovani estreia numa disputa estadual.
O principal risco da chapa não está na geografia, mas na sobreposição de eleitorado. Fernanda, Assis, Ranalli e Thiago disputam parcelas diferentes do bolsonarismo, enquanto outros nomes também buscam o voto conservador.
O fator 22
A projeção de 265 mil votos não incorpora previamente bônus pelo voto de legenda.
Essa é uma variável importante porque o PL tem uma marca partidária eleitoralmente reconhecida. Um desempenho relevante no 22 pode ampliar a vantagem da chapa sem depender do crescimento nominal de um candidato específico.
Com QE de 235 mil, o cenário central coloca o PL acima de um quociente e, depois da primeira cadeira, com média forte para disputar uma segunda nas sobras.
A terceira exigiria outro salto. Mesmo perto do teto projetado de 295 mil, o partido ainda teria de disputar uma nova sobra contra chapas que também chegam com votação alta.
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