Mato Grosso segue como protagonista da produção agrícola brasileira, mas o ranking dos municípios do País teve uma mudança importante em 2025. Sorriso (a 420km de Cuiabá), que por seis anos consecutivos liderou o valor da produção agrícola nacional, caiu para a terceira colocação, enquanto Sapezal (a 510km de Cuiabá) assumiu o primeiro lugar.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e publicados na Folha de S.Paulo, em uma reportagem do jornalista Leonardo Vieceli.
Segundo a publicação, a mudança no ranking está diretamente ligada à criação de Boa Esperança do Norte, novo município mato-grossense formado a partir de áreas que pertenciam a Sorriso e Nova Ubiratã.
Ao todo, cinco dos dez municípios brasileiros com maior produção agrícola em 2025 estão em Mato Grosso, estado que respondeu por quase 18% de todo o valor gerado pela agricultura no país.
Sorriso, em Mato Grosso, perde liderança de ranking de produção agrícola após seis anos
O município de Sorriso, em Mato Grosso (a 420 km de Cuiabá), perdeu em 2025 o posto de líder no valor da produção agrícola no Brasil, apontam dados divulgados nesta quinta-feira (17) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A cidade vinha de seis anos consecutivos em primeiro lugar do ranking —2019 a 2024.
Em 2025, Sorriso baixou para a terceira posição, com R$ 8,16 bilhões gerados pela agricultura. A perda de duas colocações, conforme o IBGE, está associada à criação do município de Boa Esperança do Norte (MT).
A instalação oficial da nova cidade ocorreu em 2025, a partir de terras que pertenciam a Sorriso (20%) e Nova Ubiratã (80%). Com a emancipação, Boa Esperança do Norte ficou com uma parte da produção antes contabilizada nos dois municípios de origem.
Os dados do IBGE integram a pesquisa PAM (Produção Agrícola Municipal), cuja série histórica começou em 1974. O valor da produção multiplica a quantidade colhida em cada lavoura pelo preço médio pago aos agricultores em cada ano.
Sapezal (MT), outro município de Mato Grosso, assumiu a liderança do ranking em 2025, com R$ 8,6 bilhões obtidos a partir da atividade agrícola.
A cidade registrou um crescimento nominal de 46,6% ante 2024, quando estava na terceira posição. Todos os valores são divulgados pelo IBGE sem ajuste pela inflação.
São Desidério (BA) permaneceu no segundo lugar da pesquisa em 2025, com R$ 8,2 bilhões. O município baiano fica na região do Matopiba, que teve forte expansão da agricultura a partir dos anos 1980.
Dos 10 municípios que encabeçaram o ranking da PAM do ano passado, 5 estão localizados em Mato Grosso, 3 em Goiás e 2 na Bahia.
A soja é o produto agrícola que mais gera valor em nove dessas cidades. A exceção está em Sapezal, onde o algodão puxa a receita, seguido por soja e milho.
O IBGE disse que Sorriso foi o único dos dez principais municípios que teve redução da área plantada em 2025 (-9,3%). Mesmo assim, o valor da produção local subiu 13,8% em termos nominais.
Nova Ubiratã caiu ainda mais no ranking com o surgimento de Boa Esperança do Norte. Saiu do oitavo lugar em 2024 para o 20º em 2025.
O valor da produção em Nova Ubiratã foi de R$ 3,5 bilhões no ano passado. Houve baixa nominal de 23%. O IBGE afirmou que Nova Ubiratã perdeu 42,9% da área plantada na passagem dos dois últimos anos.
Boa Esperança do Norte, por sua vez, nasceu com uma produção agrícola de R$ 3 bilhões em 2025. É a 25ª maior dos municípios brasileiros.
MT responde por quase 18%
Quando o ranking considera as unidades da Federação, Mato Grosso segue como principal destaque. O valor da produção agrícola do estado teve alta nominal de 37,1% no ano passado, para R$ 165,6 bilhões.
A quantia responde por 17,9% do total do Brasil. O valor nacional alcançou R$ 927,2 bilhões em 2025, o que representa um aumento de 18,4% ante 2024.
Na pesquisa, o IBGE afirma que a guerra tarifária entre Estados Unidos e China fez com que o país asiático ampliasse a procura por soja do Brasil, mantendo os preços internos da commodity estáveis ao longo dos últimos meses do ano.
O instituto também citou um cenário de crescimento da demanda brasileira por milho em razão do aumento da produção de ração animal e do uso na fabricação de etanol.
“Essa configuração de fatores, associada a um aumento da produção de grãos, fez com que o Mato Grosso mantivesse a liderança no valor da produção agrícola nacional”, disse o IBGE.
