TRE barra pesquisa Veritá ao Governo e Senado por registros duplicados e falhas na amostra

O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT) suspendeu, nesta segunda-feira (28), a divulgação da pesquisa do Instituto Veritá para o Governo de Mato Grosso e o Senado após identificar 30 registros duplicados, localidades incompatíveis com os municípios informados e outras falhas que comprometem a verificação da amostra. As duplicações representam cerca de 26% das 116 entrevistas declaradas em uma das regiões pesquisadas.

A liminar foi concedida pelo juiz auxiliar da propaganda, Flávio Fraga e Silva, em representação apresentada pela candidata ao Senado, Janaina Riva (MDB). A decisão determina que o Veritá e o Sistema de Comunicação Pantanal, responsável pela Rede Brasil de Televisão, retirem os resultados já publicados no prazo de 24 horas, sob pena de multa de R$ 10 mil por ato de descumprimento.

Ao analisar os documentos apresentados pelo próprio instituto à Justiça Eleitoral, o magistrado constatou que os registros de 1 a 30 reaparecem, na mesma ordem, nas posições 685 a 714. A duplicação envolve entrevistas atribuídas aos municípios de Barra do Garças e Confresa.

“Ou os registros individuais correspondentes não existem, ou a listagem apresentada não reflete a amostra efetivamente coletada”, registrou o juiz.

Na decisão, Flávio Fraga e Silva classificou a duplicação como “especialmente grave” e afirmou que ela “só se explica por falha material na formação da listagem ou por inserção de linhas destinadas a completar a amostra declarada”.

O magistrado também identificou problemas relacionados à localização dos entrevistados. Juara, Carlinda e Paranaíta aparecem como bairros de Sinop, enquanto “Castelo dos Sonhos”, apontada como localidade do Pará, aparece vinculada a Colniza. Há ainda registros identificados como “INDEFINIDO”, “ZONA” e outras denominações sem delimitação reconhecível.

O TRE-MT apontou ainda a ausência de informações por setor censitário e divergências entre as faixas de renda e escolaridade previstas no plano amostral e aquelas apresentadas na composição final da pesquisa.

O instituto terá 48 horas para apresentar explicações e documentos sobre as inconsistências. O TRE-MT também determinou a preservação dos registros de data e horário das coletas, além das gravações das entrevistas.

Histórico

A decisão em Mato Grosso se soma a questionamentos enfrentados pelo Instituto Veritá em outros estados. Segundo informações mencionadas no processo, pesquisas do instituto já foram barradas em 13 estados e no Distrito Federal.

No Amazonas, um dos casos também envolveu registros repetidos. Segundo a publicação citada no material, cerca de 62% da amostra declarada apresentava duplicações em série.

Na ocasião, o Veritá afirmou que mais de 70% das impugnações sofridas pelo instituto haviam sido revertidas e defendeu a solidez de sua metodologia.

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